quinta-feira, 22 de setembro de 2011

UM BOLO DOS SONHOS - UM SONHO DE BOLO

Após a linda receita de estréia do ex, estamos de volta com as receitas masculinas mais lindas da cidade. Dessa vez o amoreco resolveu passar a perna na professora de culinária (eu) - que pediu uma resenha avaliatória pessoal sobre a textura, a cor, o sabor e o aroma do alimento - e fingir que ia fazer um bolo incrível pra me impressionar. Mas...


Ao estudarmos estatística em marketing ou pesquisa mercadológica, temos o conhecimento de diversas utilidades ou inutilidades sobre a sociedade. Uma delas é a de que, quem está feliz em uma relação ou apaixonado por alguém, tende a comer mais, enquanto a grande maioria se agrada, inclusive, no ato de cozinhar. Quem ama, cozinha.

Não muito diferente destes casos estou eu, que nunca fui chegado em cozinha e já tive problemas diversos com alimentação (não somente as tais "frescuras" para com diversos alimentos, mas também problemas de gravidade maior, como bulimia), sendo incapaz de quebrar um ovo - ato este que é considerado o mais simples da culinária clássica. "O homem soube quebrar um ovo corretamente antes mesmo de saber que poderia comê-lo", diz Cid Zimmermann, 34, pesquisador e professor de História da Gastronomia na UnB.

Num momento de fome-leve-por-doces (coisa que nós, ectomorfos, desenvolvemos mais do que qualquer pessoa que tenha alta tendência à diabetes e tenha sido criado, desde cedo, com proibição ao açúcar), resolvi... fazer um bolo. Em plenas 22h. Com os poucos (mas úteis) conhecimentos que adquiri em meu presente (e delicioso, lascivo, incrivel, único) relacionamento. Mas não seria um bolo qualquer... seria um bolo pronto.

Mas, não seria um bolo pronto qualquer. Pesquisei no Google (inicio de frase que nos remete a uma séria inclusão digital nos dias de hoje: -"Ah, como faço um muro de tijolos?" -"Vê no Google, Santório!") por diversas receitas criativas através da tag "bolo pronto", e encontrei uma que realmente fosse criativa, mas somente uma. "Bolo pronto de festa", googleia aí.

A receita:

- 1 bolo pronto sabor Coco
- 1 copo de guaraná
- 1 lata de leite condensado cozido (doce de leite)
- 1 caixinha de creme de leite
- 2 caixas de morangos
- 200 g de chantilly batido
- 1 barra de chocolate meio amargo, de 170 g

Um tanto quanto exigente para um bolo às pressas, mas parte dos ingredientes estava disponível. Apenas deixaria de lado o chantilly (por falta de conhecimento técnico na área) e trocaria os morangos por bananas. Se não tenho morangos e tenho bananas, não poderia substituí-los por abacaxís. Nem por um só, nem por diversos.

Pois pico um milhão de bananas, sirvo um copão daquele Guaraná Tai que está há duas semanas na geladeira, roubo o chocolate meio amargo da minha mãe inteirinho, só pra mim, e abro uma caixinha de creme de leite. Só abro. Por um tempo, não soube o que fazer com ela aberta. Mas, uma vez Flamengo...

Enfim, pulei essa etapa (cantando, psicologicamente, o hino do Flamengo) e voltei ao Google, para ler o modo de preparo. Nós, que não estamos acostumados ao academicismo da coisa, sempre achamos que isso é tipo um manual de instruções de TV, mas devemos ser homens o bastante para entendermos que não: eu NUNCA teria que imaginar que leite condensado já deveria ser doce de leite há horas. Então fui lá, doce-de-leitear.

[imagine uma foto aqui]

Ter conseguido fazer doce de leite foi uma das coisas mais legais da minha vida. A essas horas eu já estava arrotando as tripas, de tanta carencia afetiva de doce. Me controlei, roubando um teco do chocolate meio-amargo da minha mãe, e voltei ao Google. Dessa vez, eu IMPRIMÍ a receita.

No que voltei, minha gata já clamava, de forma fofinha, pelo doce recém-cozido. Dei-lhe ração, proclamando as palavras "contente-se com que sua espécie deve comer! OUN, QUE LINDA VOCÊ", e voltei à batalha dos aflitos. Misturei o doce de leite ao creme de leite. A receita me pedia, após, para "cortar o bolo", então passei a entender que, por bolo pronto, o ser humano que conceitualizou a obra se referia a UM BOLO COMPRADO EM PADARIA. Já eram 23h, não haviam padarias abertas por perto. Somente vendedores ambulantes. De Crack.

[imagine uma outra foto aqui]

Pensando não ser um problema, recorri às seis misturas para bolo (era esse o termo que eu deveria ter googleado), e vi que eram de marca vagabundíssima, "Santa Amália", e faziam 400 gramas cada. Neanderthal que sou, resolvi usar duas. Considerei válida a mistura de coco com limão, então resolvi uní-los em matrimônio eterno.

Só depois, reparei que este matrimonio seria complexo, pois já estavam mortos. Todos os pacotes estavam com a data de validade ultrapassada em um mês. Não havia nenhuma lombriga super-desenvolvida se esbatendo nos pacotinhos, mas temí o que poderia se esbater em meu ilustre vaso sanitário após a brincadeira.

Bom, já eram 23:35h. Meu mata-fomes foi:

- 1 copo de guaraná
- 3 pães franceses bem murchinhos com MEL
- 1 mingau feito com doce de leite, creme de leite e um milhão de bananas picadas, levado ao microondas por três minutos.

Estou empanturrado e não preciso de um blog.

[imagine uma foto aqui]



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